Postado por Dr. Leandro Paulino da Costa
No consultório, o medo de viciar nos medicamentos é quase uma unanimidade entre os pacientes. A maioria traz histórias de familiares ou conhecidos que ficaram viciados em medicamentos e nunca mais conseguiram se livrar dos mesmos. O receio é tão grande que muitas pessoas deixam de procurar um tratamento de saúde mental ou mesmo abandonam um tratamento recém iniciado para não ficarem dependentes. Comportamento este que expõe o paciente a sofrimento mental e compromete a sua qualidade de vida.
É fato que muitas pessoas têm problemas de dependência com medicamentos psiquiátricos, mas é necessário entender o contexto em que isso aconteceu.
Até a década de 1990, havia poucas opções de medicamentos que não viciavam e estes traziam muitos efeitos colaterais, tais como ganho de peso, sonolência excessiva, prisão de ventre, visão turva, entre outros. Por conta disso, os psiquiatras optavam por tratamentos com medicamentos da família dos benzodiazepínicos (alprazolam, diazepam, clonazepam, entre outros), mais conhecidos como medicamentos de "tarja preta", que são medicamentos de ação rápida, potente, e com um perfil de efeitos colaterais mais tolerável.
Com esse tipo de tratamento, havia uma melhora rápida e satisfatória de boa parte dos pacientes e os medicamentos de tarja preta de popularizaram, sendo utilizados inclusive sem orientação médica. O problema é que, no longo prazo, esses medicamentos causavam dependência química (o cérebro passa a precisar da substância para funcionar normalmente), tolerância (é necessário o aumento progressivo da dose para que o efeito se mantenha) e o que é pior: não tratavam as doenças, apenas amenizavam temporariamente os sintomas. Quando o paciente desejava para com o tratamento, apresentava sintomas de abstinência e o retorno dos sintomas, muitas vezes mais intensos do que no inicio do tratamento.
Neste panorama fica fácil entender o motivo de muitas pessoas terem se viciado nesses medicamentos.
Atualmente, existem inúmeras opções de tratamento com antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos que não promovem dependência e têm um perfil de efeitos colaterais quase inexistente. Portanto, quem inicia um tratamento nos dias de hoje tem um risco muito baixo de ficar dependente ou de sofrer efeitos colaterais sérios a ponto de comprometer o tratamento. Os benzodiazepínicos continuam tendo espaço na psiquiatria moderna, mas são utilizados em situações muito especificas e por pouco tempo.
Apesar de vivermos na era da informação, quando se trata de tratamento psiquiátrico, nada substitui o conhecimento de um médico psiquiatra bem formado e atualizado. Caso o seu sofrimento psíquico esteja muito intenso, agende uma consulta com um psiquiatra, nem que seja apenas para tirar suas dúvidas. Não comprometa sua qualidade de vida por um medo sem fundamento.
IMPORTANTE: Somente médicos devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. Agende uma consulta para maiores informações.
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