Postado por Dr. Leandro Paulino da Costa
Controversa e moderna, a medicina endocanabinóide veio para ficar. O uso de substâncias extraídas da cannabis para fins médicos e terapêuticos já é regulamentado no Brasil, sendo possível encontrar nas farmácias produtos fabricados em território nacional. O intuito deste texto é trazer um conteúdo atualizado sobre o uso de canabinóides em psiquiatria, assim como cuidados a serem tomados para o uso desses medicamentos.
Primeiro é importante conhecer os termos específicos utilizados:
Cannabis: um termo genérico utilizado para descrever produtos ou componentes químicos derivados das plantascannabis sativaoucannabis indica. É muito usado no meio médico para substituir os termos "maconha", "marijuana", entre outros.
Canabinóides: substâncias ativas da cannabis, sendo que as mais conhecidas são o THC e o CBD.
Tetra-hidrocanabinol (THC): substância psicoativa da cannabis, que provoca efeito neuro tóxico. Apresenta propriedades analgésicas e antieméticas (combate a náuseas).
Canabidiol (CBD): componente da cannabis considerado terapêutico, sem ação psicoativa ou intoxicante, com propriedades relaxantes e de redução de ansiedade.
Apesar de ser um tema em alta e que recebe muita atenção da mídia em geral, é importante ressaltar que as evidências científicas de tratamentos utilizando canabinóides ainda é bastante limitada e muitas vezes controversa.
Existem estudos que demonstram benefício do uso das substâncias derivadas da cannabis no controle de dores crônicas, espasmos musculares, sequelas espásticas de AVC, náusea induzida por quimioterapia, alguns tipos de epilepsias e em cuidados paliativos. No entanto, é difícil encontrar uma padronização desses estudos quanto a proporção de THC e CBD a serem utilizados, o que dificulta o entendimento de qual seria a melhor dose. Por conta do nível de evidência limitado, o tratamento para essas condições envolvendo THC e CBD são reservados para quadros refratários e de difícil controle.
Quando falamos especificamente de transtornos mentais, há relatos de melhora em quadros de ansiedade, insônia e transtorno de estresse pós-traumático. É importante ressaltar que na psiquiatria, existe a preferência pelo uso do canabidiol (CBD) isolado, uma vez que o consumo de THC está relacionado com uma grande variedade de sintomas psiquiátricos devido seu caráter neuro tóxico, tais como aumento no risco de psicose, esquizofrenia, piora de sintomas de humor em pacientes bipolares e agravamento de sintomas de ansiedade social, além de piorar o desempenho em tarefas de aprendizagem e memória. Outra ressalva que precisamos fazer é que o CBD não é considerado um tratamento de primeira linha para os transtornos psiquiátricos, o que significa que existem tratamentos clássicos mais eficazes para cada uma das doenças. O CBD é visto como um medicamento que pode servir como potencializador do tratamento tradicional, uma alternativa frente à sintomas resistentes ou caso surjam efeitos colaterais importantes ou intoleráveis.
Portanto, antes de se decidir por iniciar um tratamento incluindo um canabinóide, o médico precisa apresentar esses dados ao paciente, que precisa estar ciente das limitações que estão envolvidas nesse tipo de tratamento. É importante averiguar se há outras terapêuticas disponíveis e conhecer possíveis efeitos colaterais. Além disso, é importante manter a comunicação com médico durante o tratamento, sanar dúvidas e evitar ajustes de dose por conta própria. Apesar de complexo, este é um tratamento que pode sim trazer conforto e qualidade de vida, sobretudo para pacientes com quadros refratários ou que sofrem com efeitos colaterais dos medicamentos convencionais.
IMPORTANTE: Somente médicos devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. Agende uma consulta para maiores informações.
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